Ao contrário de todos os outros ela sentou-se diante de mim, de costas voltadas para os demais. A boca dela era um botão vermelho bem recortado, trazia sobre os ombros um echarpe igualmente rubro e o cabelo estendia-se longo e sedoso como um manto. As sobrancelhas eram linhas largas e firmavam um sorriso amplo. No lugar de um telemóvel abriu um caderno de capa azul e sem hesitações com uma bic laranja de escrita fina avançou pela folha branca desfiando o meu espanto numa escrita certa e bonita. Finda a folha fechou o caderno, pegou num livrinho vermelho e mais não me olhou, deixando-me dormida a fiar novos espantos.

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