“Quando vivia em Bruxelas morava num apartamento. No apartamento do lado moravam duas prostitutas. Elas não praticavam sexo propriamente dito, não vendiam penetração, limitavam-se a masturbá-los e assim, mas às vezes dava bronca, e elas eram maltratadas...”
“E tu teresa o que pensas da prostituição?”
Chega o primeiro pedido, uma xícara transborda de natas e chocolate, orgástico, um chá de malte e scones com doce de frutos silvestres. Uma cerveja de pressão e um white russian, vodka, tia maria e natas, calculem o que caracteriza o black, pensa teresa, siderada. procura elaborar mentalmente um discurso coerente e sedutor, mas só consegue pensar na cara de frete da puta a abrir as pernas a um velho perneta, enquanto a prótese lhe trava o movimento e a penetração torna-se penosa e suada para ambos. O rendilhado alarga-se, escoado o drama, o homem compõe-se, ela limpa-se com um pouco de papel higiénico, abre a porta do quarto da pensão e cruza-se com um homem redondo e careca. O saldo do dia é curto, 5 clientes a 20 euros, e ainda tem de pagar a percentagem da dona da pensão. Não é desta que troca de telemóvel.
Os direitos das prostitutas, prosseguem, ostentando a xícara de chá, o cálice de porto, a perna cruzada, afundados nos sofás vermelhos da sala azul do clube, pelo menos assim estariam mais seguras, teriam assistência médica e pagavam impostos, o fumo do cigarro tinge-se com o rosado turvo do tecto baixo, ridiculamente debruado de cornucópias. Sim também deviam ter uma formação primária em psicologia da solidão, mas sejamos realistas, carteira profissional já não seria mau, e um sindicato claro, para reivindicar os direitos da foda.
Mas que disparate, vem-lhe à ideia o prazer “tout court”, esse acto lascivo que nos nivela a todos, chão, chão, chão.
Putas, eu adoro putas. E quanto à sexualidade ser criativa, não sei. É? Será?
terça-feira, novembro 27, 2007
putas
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