quarta-feira, julho 25, 2007

letras de ernesto - nesse tom definitivo NÃO

Nesse tom definitivo NÃO

Vejo a cidade velha lá em baixo, não durmo bem desde que recebi a carta dos antípodas, tenho o presente lotado de um mau presságio,

Sou timidamente voraz, disse-me ela uma das poucas vezes que abordamos o assunto, da mesma forma que agora me atira com um definitivamente não,

O que faço eu com este não redondo, olho a cidade velha, o céu majestoso que a acoberta, num fim de tarde ao rubro

Do vento afoito aqui sobre as muralhas, vejo a cidade velha, as últimas crianças que se abrigam da noite, uma cabrita tresmalhada, um porco pequeno sarapintado,

Ainda essa manhã seguia risonho por entre as mulatas roliças,
e que mulatas, chapam-nos com um sorriso, e abalam praça acima, rumo à igreja de cal branco.

acredito que se libertem umas feromonas ou olhares que indicam o caminho, mas às vezes é só caminho e atropela-nos..., insiste a voz dela, que agora me chega com extraordinária nitidez, como se estivesse a ouvi-la na cozinha, a cantarolar para a gata um fado desenhado pelo antunes