segunda-feira, julho 16, 2018

contadores




Estou em casa. Não me instalei aqui, venho por umas horas, tornou-se um ritual querido este de esperar que cheguem os homens da luz. É um espelho da minha vida, aguardar por coisas sem importância mas de importância toda. Entretanto passou o homem da loja do ambiente, vestido de verde, veio contar a água, devo ter gasto muito pouca… e entretanto sinto vontade de escrever mas este pó todo e fino que tomou as paredes de azulejo distrai-me e espero então ter tempo para vir aqui fazer uma faxina e depois sim depois instalar-me e esperar que alguém venha contar-me os dias.

mãos de matemático




Mãos de matemático.
- a sério? mas como são?
É difícil de descrever, são delicadas, traçam fino, a unha do dedo polegar é curta mas elegante e a forma como seguram a esferográfica é única.
- estás a delirar!
Não estou!
Enfim, o facto de não ter tido meninos faz-me olhar para as coisas com uma emoção particular, como se fosse parir qualquer coisa de extraordinária, mas que não sai, porque se me engelhou a barriga. Esta noite fazia dobras, foi arrepiante, bem que tentava enfia-la para dentro das calças, como se enfia uma longa camisa, mas sem sucesso, era de um tecido espesso, rugoso. e foi assim de um momento para o outro, que caiu!
- prefiro as mãos de matemático, desculpa.
Tens razão.