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Chamo-me Maria, como a minha avó. Ela tinha perto de 60 anos quando morreu,
não cheguei a conhecê-la, no momento em que partia chegava eu. Trago o seu nome
e, sem querer, a sua sede e o desconforto também. A raiva que sobrou dos outros.
Maria era amarga todos os dias, odiava os filhos, a todos com igual proporção e
violência: um bando de putos ranhosos e borrados que rondavam por ali com as
galinhas, e que lhe tinham sido arrancados a ferros à conta sucessiva dos
estupros. Maria nunca, mas nunca desejou o homem que lhe foi aplicado, soma
pequena das propriedades da aldeia que assim se multiplicaram: a família. Na
véspera da morte dele levou-lhe à cabeceira a última refeição, uma cebola crua
com sal, e regressou ao banco da cozinha onde adormeceu com a cabeça entornada junto da caneca.

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