Ave era uma mulher calada, havia quem a dissesse muda mas isso até a acomodava. Sabia-se muito pouco dela, quase como se esse fosse o seu traço de carácter, a não ser que fiava conchas de maresias e que colecionava lixo do mar. Enchia laboriosamente pequenos contentores, distribuindo a safra por tamanhos, formas e cores e tudo aquilo cheirava a sentido adiado, mas ela sorria a cada resgate encontrado. Um dia deu-se o fenómeno da economia circular e no dia depois a praia encheu-se de gente e levaram todo o lixo colorido em elevados contentores, e no dia depois e no dia depois. De Ave não se soube mais nada.


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